Capítulo 01
Começar do menos 50
Até os vinte e poucos anos, Cassiano diz que viveu na zona de conforto. Depois, nas palavras dele, a vida “começou a dar tudo errado”. Ele não romantiza o ponto de partida: não começou do zero, começou devendo.
“Eu não comecei do zero, eu comecei do menos 50.”
Senso Comum #84
As primeiras tentativas no digital não deram certo. Ele testou várias frentes e começou como afiliado, vendendo produtos de outras pessoas. Também não funcionou. Foi então que levou o mercado de afiliados para um lugar onde quase ninguém fazia isso na época: o YouTube. Ali, como ele resume, “simplesmente entrei, deu certo”.
Capítulo 02
Sozinho, quinze vídeos por dia
Em 2018, enquanto a maioria dos youtubers do Brasil buscava renda com o AdSense, ele montou canais para vender, em nichos como saúde, relacionamento, fitness e finanças. Só foi entender o que eram AdSense e CTR muito depois, trabalhando num computador velho.
O começo foi, como ele diz, “sangue no olho”: escolhia um nicho e produzia cerca de 15 vídeos por dia, oito horas editando e mais duas agendando. Por dois anos fez isso sozinho, sem conhecer ninguém do YouTube, sem suporte e sem mentor.
“Galera, eu não quero que você sinta o que eu senti.”
Kiwicast #327, sobre os dois anos sem mentor
Capítulo 03
Perder os canais e recomeçar
Os ganhos chegaram e se estabilizaram, até que, num único mês, ele perdeu os canais e a renda despencou. Recomeçou. Até fundar a escola, criou cerca de 300 canais, muitos deles crescidos até 10 mil inscritos e vendidos, e passou por mais de 40 nichos, algo que hoje vê como sinal de que estava perdido.
A virada veio quando decidiu parar de “pular de galho em galho” e se dedicar a um canal só, de saúde. Foi esse canal que lhe deu a primeira placa do YouTube, de 100 mil inscritos.
Capítulo 04
Aprender com quem estava à frente
Com o tempo, deixou de produzir com as próprias mãos e montou um time, começando com estagiários. Também passou a investir em gente mais experiente: teve um dos primeiros mentores quando morava em Alphaville e pagou caro por uma mentoria de três meses.
“Eu só ouvi coisa básica, mas mudou a minha vida.”
Kiwicast #327
Abriu uma consultoria de YouTube, apresentou-se no LinkedIn como “YouTube consultant” e fechou contratos com empresas no Canadá, em Nova York e na Alemanha. Em 2021, fez a primeira viagem aos Estados Unidos, para um evento de criadores em Los Angeles, onde conversou por alguns minutos com o MrBeast.
Nem tudo deu certo. Uma startup em que ele levantou investimento acabou quebrando. E a própria consultoria perdeu o sentido: os clientes pagavam, mas não aplicavam o que ele ensinava.
Capítulo 05
Harvard e a decisão de ensinar
Em 2022, fez um curso de negociação em Harvard para começar a se posicionar como empresário global. No mesmo ano tomou a decisão que mudaria tudo: depois de anos aprendendo sozinho, quis retribuir.
“Quando eu comecei a ensinar, eu me apaixonei.”
Senso Comum #84
Fundou a Channels Educação em 2022. Os primeiros mentorados chegaram quando ele ainda se via “muito perdido, muito inseguro”. Até hoje, conta, quando fala com os alunos é com o Cassiano de 2018 que está falando: “magrinho, cheio de medinho e indo vender, todo inseguro”.
Capítulo 06
Uma escola feita de gente
O mantra interno é “o ambiente é a coisa mais importante de tudo”. Na Channels, boa parte do suporte é feita por pessoas que vivem de YouTube, e ele repete que ali ninguém é tratado como número.
“O que a gente tem de diferencial, que ninguém nos tira, ninguém copia, são as pessoas.”
Senso Comum #84
Ele diz que a empresa sempre se preocupou mais com a marca do que com o lucro. Depois do recorde da Black Friday de 2025, o compromisso declarado foi reinvestir na escola tudo o que entrou.
Capítulo 07
Tecnologia e longo prazo
Hoje Cassiano passa boa parte do dia criando ferramentas de inteligência artificial para quem trabalha com YouTube. Já recusou uma proposta para ser CMO de uma empresa em Londres. Pensa a Channels para os próximos 50 anos e a descreve como algo que nunca fica pronto.
“A Channels é uma obra de arte que tá sempre inacabada.”
Kiwicast #327
Esta história foi contada a partir dos relatos do próprio Cassiano em entrevistas públicas: Kiwicast #327 (Kiwify, 2024), Senso Comum #84 (2025) e ChannelsCast (2026).